“I thought how strange it had never occurred to me before that I was only purely happy until I was nine years old.” (Sylvia Plath, The Bell Jar)
Humildemente acho que todo adulto é miserável assim como Sylvia Plath descreve: a ponto de não mais nos lembrarmos do último momento em que fomos felizes. E, de pensar a respeito, e percebermos que só fomos felizes de verdade quando éramos crianças. Quando éramos inocentes e imaculados. Quando ainda não sabíamos o que de fato era viver!
Eu não encontro nos dias de hoje uma felicidade comparável à que eu tinha nos meus períodos de volta às aulas.
Tudo era expectativa, tudo era novo! O que é novo, pra uma criança, é fascinante. Pra nós, adultos, é assustador. (Somos patéticos e covardes.)
Lembro do cheiro maravilhoso que meus livros didáticos emanavam, do cheiro do plástico que os cobria e até do cheiro dos adesivos que eu colava neles.
Dos cadernos. Era tudo encapadinho com muito capricho, pela mamãe. Ela virava noites naquele trabalho, reclamava horrores mas, perfeccionista que é, não parava até tudo estar lindo, brilhante, realmente perfeito.
Gostava especialmente da volta às aulas em janeiro/fevereiro, porque ficávamos dois meses de férias; já tínhamos brincado bastante, era hora de voltar mesmo.
Minhas férias tinham destino certo: casa da Vozinha.
Era maravilhoso. Mas era ainda melhor quando eu voltava pra casa. Pro meu quarto, meu lugar, minha cidade, pra agitação urbana.
Eu chegava quase sempre já um pouco tarde da noite, na véspera do primeiro dia de aula, e a visão do meu quarto limpo e arrumado, minha cama feita e com lençóis novos, meu material escolar, TUDO esperando por mim… era o que eu entendo por felicidade.
Os cheiros e as sensações me diziam que aquele era meu lar, que ali eu podia me sentir segura e encontrar conforto.
Não lembro de sentir-me assim desde que entrei na adolescência.
Escrito por luanita 





